CERSA E PARCEIROS REALIZAM AÇÕES EM DEFESA DO MEIO AMBIENTE

O Comitê de Energia Renovável do Semiárido (CERSA), coletivo de organizações, pesquisadores e pessoas diversas, vem realizando desde 2014, inúmeras atividades em defesa do Meio Ambiente e da vida. Ao longo de sua recente história, busca olhar para os grandes desafios do semiárido, resgatando e valorizando as suas potencialidades, como as pessoas que nele vivem, suas formas de organização, sua biodiversidade e o sol que aquece gerando vida.
Uma das estratégias adotadas pelo CERSA tem sido a busca de parcerias, entendendo que as grandes mudanças acontecem a partir da soma de ideias, esforços e iniciativas sociopolíticas.
Neste sentido, colocando-se sempre a serviço, o Comitê tem apoiado inúmeras iniciativas comunitárias de desenvolvimento sustentável e integra articulações e redes mais amplas a exemplo do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental, a Frente por uma Nova Política Energética para o Brasil e o grupo 3+1, formado por organizações e experiências do Brasil, Bolívia, Peru e Alemanha.
A partir de experiências comunitárias bem sucedidas, ligadas a geração de energia renovável descentralizada e do trabalho em rede, conseguiu aprovar dois projetos com recursos da MISEREOR (Misericórdia), entidade ligada a Igreja Católica, sediada na Alemanha.
O primeiro projeto, já executado e denominado “Semiárido Solar’, contemplou comunidades das dioceses de Cajazeiras e Patos, com ações educativas e instalações de experiências em geração de energia fotovoltaica e biodigestores. Essas experiências, além de servirem às famílias e grupos locais de Economia Solidária, são espaços de intercâmbio para outras famílias e organizações de diversas regiões.
O segundo projeto, também apoiado pela MISEREOR, em execução desde o início de 2019 e término previsto para 2021, tem como título “Cuidando da Nossa Casa Comum”, inspirado na encíclica do papa Francisco Laudato Si’ (louvado sejas), documento que alerta a sociedade mundial, com suas organizações, sobre a necessidade de políticas e iniciativas para o cuidado com a terra, nossa Casa Comum e a Vida.
O presente projeto apoiado pelo Bispo da Diocese de Patos, Dom Eraldo Bispo da Silva, tem como objetivo geral “promover a conscientização e a mobilização da sociedade, no território da Diocese de Patos, em torno das mudanças climáticas, da problemática energética, da eficiência energética e do uso descentralizado das energias renováveis.
Nesta Semana Mundial do Meio Ambiente, o projeto Cuidando da Nossa Casa Comum, já pode apresentar alguns resultados e sinais que apontam caminhos importantes a serem trilhados.
Retomando a estratégia das parcerias adotadas pelo CERSA, pode-se testemunhar que é possível se manter a identidade e missão próprias de cada entidade parceira e construir coletivamente pautas e estratégias comuns rumo a um novo projeto de sociedade e modelo de desenvolvimento pautados na solidariedade, na partilha e numa relação respeitosa com a natureza e seus bens, tendo presente que “tudo estar interligado, como se fôssemos um”.
Sensibilizada com os objetivos do projeto, a professora e pesquisadora, Carminha Learth Cunha, da UFCG Campus de Patos, estudiosa de espécies florestais, doou ao projeto e a diversas entidades parceiras cerca de 1.500 mudas que estão sendo cuidadas por diversas famílias em comunidades rurais no território da diocese de Patos. A iniciativa foi tão positiva que evolui para a ideia de se criar uma rede de coleta de sementes, reprodução de espécies e distribuição de mudas intitulada Rede Sementes Florestal Caatinga Viva.
Um segundo bloco de sinais esperançosos, diz respeito ao diálogo, à socialização de informações e à mudança de atitudes. Neste sentido merece destacar o papel das comissões municipais de acompanhamento ao projeto, a participação da juventude, a abertura e disponibilidade das comunidades e a troca de saberes. A partir desses espaços, pôde-se identificar e aprofundar diversos impactos causados pelas mudanças climáticas na região, agravados por grandes projetos de usinas solares, parques eólicos e empresas de mineração.
Como ilustração de mudanças de atitudes, merece ser destacado o exemplo da Comissão Municipal de Malta, que inspirada no projeto, constituiu um grupo de estudos da encíclica Laudato Si’. Esta comissão, ao combinar teoria e prática, teve como um dos resultados o plantio de dezenas de mudas frutíferas e florestais nativas do bioma caatinga, doadas pela Rede Florestal Caatinga Viva e pelo Instituto Nacional do Semiárido (INSA), em diversas comunidades.
O Projeto Cuidando da Nossa Casa Comum tem como tarefa principal, em 2020, a compra de equipamentos para realizar as instalações de energia fotovoltaicas descentralizada, em 13 comunidades rurais. Com esses equipamentos, o projeto irá atender diversas necessidades locais, como os sistemas de abastecimento de água, irrigação, beneficiamento de frutas, panificação e centro formação comunitária.
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